quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Magnificência

Eu tenho muita coisa pra dizer - mais daquelas anotações oníricas, coisas comezinhas, miudezas, impressões e memórias. Enquanto não bate aquela coceira desesperada, enquanto as linhas não me transbordam na cabeça, enquanto a cabeça d'água não desce, ouçam (mais de uma vez, se for o caso) mais uma das traduções para o termo "majestade", que descobri há menos de meia hora e que me nocauteou - parei tudo o que estava fazendo, torrente sonora.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os olhos alheios

Soube que ontem, na hora da votação, a mãe de uma coleguinha do meu filho tomou um tremendo tombo nas escadas, com a filha junto. A menina se machucou pouquinho, a mãe se machucou mais. Fui buscar as tarefas atrasadas do menino convalescente (catapora!) e no caminho a amiguinha me cumprimentou, disse que vira o pai do Alê na véspera. Perguntei como ela e a mãe estavam. Ela me mostrou os sinais do tombo (um roxinho de leve no braço, outro na perna, só) e falou que a mãe se machucou mais, mas completou:

- Minha mãe pode levar o tombo que for, tia! Ela é indestrutível, nada derruba minha mãe! Ela pode cair numa escadona e levanta!

Como será que meu filho me vê? Como ele me descreveria, será que eu ia ficar surpresa? Será que ele revelaria alguma coisa inesperada vista pelos olhos dele ou algum estereótipo daria conta de mim?

No Ensino Médio algum professor teve a ideia de fazer uma dinâmica na sala de aula que consistia em fazer circular por todos os alunos uma folha de sulfite em que cada um escrevia algo sobre o colega cujo nome aparecia no topo do papel, dobrava a parte escrita e passava para o próximo. Então no fim da brincadeira todos teriam as opiniões individuais de cada um a seu respeito, sem assinatura (mas identificáveis pela letra, coisa simples numa sala com 15 alunos que já se conheciam de longa data).

Minha folha basicamente fazia alusões à minha inteligência (na época eu trocaria isso por ser bonita, querida e popular, sem pestanejar) e à minha lealdade como colega e sobretudo ao meu dark side: "um pouquinho mal humorada", "não se enturma muito", "podia se integrar mais", "tem um humorzinho ácido". Fiquei decepcionada, claro, aos 16/17 anos esperava palavras mais doces.

Isso aconteceu há 20 ou 21 anos. Continuo esperando doçura e opiniões meigas que não me cheirem a gentileza diplomática ou condescendência, continuo esperando olhos gentis que vejam um suposto lado bom que nunca aprendi a identificar. E continuo sendo a mesma que apareceu quando desdobrei aquele leque de papel escrito a canetas coloridas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Madrugadas coloridas - mais um daqueles posts oníricos

Engraçado que quando eu sonho algo relacionado a estudo, educação formal, sempre sonho que voltei para o Ensino Médio (e em geral lá pelas tantas, sentada na carteira esperando a prova começar, eu falo algo como "opa, peraí, meu, por que eu tô aqui fazendo prova? Eu já fiz faculdade!!) ou que estou na Faculdade 1. Nunca a Faculdade 2. Talvez seja porque ela passou um pouco mais em brancas nuves e não foi tão determinante para a minha formação acadêmica ou como pessoa como a anterior (mas foi importante sim, claro, porque olha eu aqui no emprego que quis tanto). Então não devo ter questões de ordem interna relacionadas a ela engavetadas esperando pra se manifestarem numa madrugada qualquer.

Dessa vez eu pegava um ônibus, não lembro exatamente onde, com minha melhor amiga da Faculdade 1. Andávamos juntas o tempo todo, de fato. Daí íamos pra lá, lembro que conversávamos alguma coisa com o cobrador, sobre onde descer, sobre ter que descer antes ou depois. Reconheci nos prédios não os lugares reais, mas os locais correspondentes ao campus que já apareceram em outros sonhos. Que doido isso, sonhos com coerência entre si. Bom, deixa pra lá.

Então eu passava na frente da casa onde cresci, na Terra do Calçado e do Basquete e do Gian e Giovani e do Rio Negro e Solimões. Mostrava pra minha amiga a laje da garagem e explicava que era ali que meus irmãos subiam. Claro que meu primeiro clique quando acordei foi lembrar que isso foi exatamente o que disse, há poucos dias, que mostraria pro meu filho quando viajássemos pra lá: o lugar onde os tios subiam. Mostrei pra amiga que a casa havia virado um consultório (o que acho que é o caso, depois vou conferir no Street View), e entramos e pedi licença pra funcionária, explicando que havia morado ali por um tempão, que minha família passou o que, uns 20 anos ali? Não sei. Tipo isso.

Eu reconhecia os lugares, apesar das reformas. Um balcão que dividia a cozinha (só no sonho, na real não existia), comentava que aquele cômodo era grande mesmo (minha mãe discordará muito e com razão, aquela cozinha era pequena), via os quartos, banheiros e por fim a sala. E reparava que a sala era na verdade pequena. Eu achava aquela sala tão grande, explicava pra minha amiga, e chorava copiosamente. Era imensa mas na verdade eu é que era pequena demais, a prova tava ali (na verdade a sala era grande sim e eu gostava muito dela). Muitos soluços.

Não houve bananas, não houve roubo de carro, não houve corrida, não lembro mais o que acontecia depois que eu parava de soluçar e finalmente saía da casa. De onde, penso agora, de certa forma não devo ter saído mesmo, até hoje.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

...are made of this.

- Eu vi na bula do remédio que...
-...paciente não devia ler bula. Tem um monte de efeito adverso e a tendência de largar o tratamento aumenta.

Daí eu vi a bula do remédio de novo. Porque teimosia corre nas minhas veias e me move - não necessariamente de um jeito bom, essa não é uma daquelas declarações de falsa modéstia travestidas de defeitinho adorável.

Então numa madrugada eu entrei em algum lugar que parecia um restaurante pra tomar banho, fechei o carro mas não tranquei e deixei a chave lá dentro. Sempre fiz isso. Mas daí uma hora desci a rua e no lugar onde o carro estava (no meio de uma área pintada, uma rotatória demarcada) não havia nada. Vi a traseira do carro, ele descia a avenida. Alguém acabou de levar meu carro!

Não telefonei pra ninguém. Não falei pra ninguém. Lembrei de um posto da polícia (não usei "delegacia" em qualquer momento) perto do centro (de São Carlos? De Franca?), fui lá e não tinha ninguém. Algum funcionário da faxina disse que não tinha ninguém. Tentei um segundo em outra rua, aflita, meu carro ainda estava circulando por aí e podia ser interceptado. Ninguém. Ninguém podia fazer nada. Perguntei em algum lugar se não tinha um posto policial numa tal rua Bandeirantes, em outro bairro. Sim, tinha.

Fazia um sol desgraçado, foi um esforço enorme vencer o calor, as subidas e a distância, eu fazia força mas custava a sair do lugar. Cheguei a uma espécie de galeria ou centro comercial. Ali havia mesmo o que eu estava procurando mas parece que ninguém podia fazer o B.O. pra mim também. Não me lembro por quê. Expliquei que meu carro estava circulando pela cidade, alguém o levara mas ninguém viu quando aconteceu, quem foi. Ainda assim não lembro de ter telefonado pra algum conhecido pedindo ajuda.

Intervalo. Minutos? Horas?

Corta para a casa da minha mãe. Passando por uma área parecida com um pomar, chão de terra, folhas, árvores imensas inclusive dentro das paredes da casa de pé-direito alto, conto pra minha mãe que ninguém, ninguém me ajudou a fazer o B.O., explico que meu carro foi levado, que meu pai não quis saber. Olho pra cima e há árvores parecendo mangueiras, goiabeiras, há um quiosque, e em todo lugar (incluindo o quiosque, claro) crescem cachos imensos de bananas, muitas pencas muito amarelas em cada árvore. Olho pra cima, penso "é o paraíso das bananas, é uma festa de bananas, vou fotografar e colocar no instagram". Vou andando pelo lugar atrás da minha mãe e repetindo a reclamação, alguém levou meu carro, meu carro foi levado, eu vi ele na rua, reconheci a cor, o modelo, a placa, meu pai não ajudou, ninguém me ajudou com a polícia. Conforme ando alguém bate continuamente na minha cabeça, alguém solta galhos baixos de árvore na minha cabeça e aquilo dói, eu reclamo que é algum dos meus irmãos mais novos, reclamo pra minha mãe.

De repente acabou. Quase levanto pra conferir se o carro está na garagem.

Quando olhei a bula daquela vez ela dizia: sonhos vívidos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pra dentro. Pra fora. Pra dentro.

Lá nos idos dos 90's eu estudava e fazia curso técnico. De Dança. Clássica.

(agora faço a pausa dramática enquanto vocês dão risada)

E na turma imediatamente anterior à minha havia uma aluna que já era uma jovem senhora, pra lá dos 45/50. Casada com meu antigo oftalmologista (na verdade já viúva), ela explicou que dançava quando era menina, queria continuar mas parou porque o marido não deixava, porque tinha a casa, porque tinha os filhos, porque não. Daí quando o marido morreu, com filhos crescidos, ela voltou a dançar.

Disciplinadíssima, muito atenta, muito caprichosa, nenhum fio de cabelo fora de lugar, contrastando com aquele nosso desarranjo meio proposital, meio incidental. Roupas e sapatilhas sempre na mais maravilhosa ordem. Mas para lá dos 45, quiçá 50, as linhas do corpo não se desenhavam da mesma forma, os tendões não estavam lá aquele espetáculo de alongamento, os músculos não tinham a mesma força. E ela seguia, dançamos juntas em muitas ocasiões e ela se formou um ano antes de mim.

Hoje decidi passar o dia trabalhando com uma playlist dos meus ballets preferidos tocando sem parar. Como de costume deixo a cabeça voar e voltar pra palcos, coxias, barras, espelhos. Sequências de passos, fantasias, adereços, ensaios. Como de costume paro pra pensar "estou mais perto dos 40 que dos 35, não danço há 20 anos, minhas atividades físicas mudaram tanto, será que ia sofrer bastante ou à beça?". Daí hoje pensei que não conseguiria sustentar direito uma posição qualquer en dehors - pernas e pés rotacionados para fora, coisa básica na dança clássica, que se aprende lá nas aulas de Baby Class. Meus tendões não são mais aquela beleza, meu alongamento, minha postura, tudo mudou tanto. Nunca mais um daqueles giros fantásticos.





Então eu parei mais um pouco, somei dois mais dois. E concluí que de tantas formas esse tempo me transformou não só em uma ex-bailarina, mas uma pessoa en dedans. Será que tem volta ou minhas linhas já se desfizeram?


(imagina só, jamais)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Meu monotema

Quem viu meu post anterior pôde ver a imagem mencionando uma corrida de rua, a Golden Four Asics, etapa paulistana. Eu me inscrevi no fim de fevereiro, treinei por 5 meses e completei a prova no último domingo.

Não, pera, deixa eu falar de novo: eu completei uma meia maratona. Meia maratona. São 21 km, foram 2h18min correndo (ok, caminhei uns 50m nos km 12 e 18 porque precisava comer e se mastigasse e corresse ia engasgar e ia ser uma porcaria). Fiz treinos casca grossa, com percurso mais difícil, fiz treino no meio do mato e na beira da rodovia, em avenida esburacada, fiz treinos com tiros que me deixaram com certeza de que ploft, ia cair dura ali mesmo ou ia enfartar no chuveiro. Quase fiquei doida de tensão nos últimos dez dias. Na véspera dormi mal, sonhando com largada perdida e todo tipo de revés possível e imaginável.

Quando passei pelo pórtico de largada esqueci TUDO. Comecei a correr e esqueci tudo tudo. Só me concentrei no que estava fazendo ali, com outras 5 mil pessoas que também acordaram com o dia escuro pra ir correr ali, em duplas, grupos ou sozinhos. Mas todos juntos. Os treinos me deixaram física e mentalmente apta mas a prova foi mais difícil que imaginava (o cansaço bate MESMO lá na frente); porém os treinos não me prepararam para a beleza daquelas duas horas de corrida, pra olhar a cidade em volta de mim e correr.

Daqui a uns dias paro de babar de orgulho de mim mesma, enquanto isso fiquem com o meu relato da prova, que publiquei lá no blog esportivo que mantenho com a Thais e a nossa treinadora, a MC.

E claro, desculpem aí a repetição. ;)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Há dias

Em que o trivial e automático surpreende. E preenche espaços, por algum tempo, não importa quanto. Dias em que você enxerga mais pra frente e era disso que precisava na hora.



terça-feira, 27 de maio de 2014

Orange is the New Black e empatia

Estou esperando a segunda temporada de Orange is the new black estrear com uma razoável ansiedade. Péssima espectadora de séries que sou, incapaz de acompanhar horários e canais de televisão (eu diria que Netflix quase me salvou, ainda tenho temporadas pendentes de ao menos duas produções. Não, pelo menos três. Não, quatr...bom, deixa pra lá), procrastinadora e preguiçosa, segui essa quase com dó de gastar os capítulos todos.

A despeito de críticas que condenaram os estereótipos de mulheres detentas apresentados e o que eu chamo de índice de mirabolância do roteiro, gostei sobretudo da abordagem direta e que achei pouco carregada de moralismo. Não existiu ali juízo de valor ou moral das histórias apresentadas a cada episódio. São fragmentos de vida presente e passada de mulheres que foram parar na cadeia, e é ali que as vidas delas se entretecem. Seria muito fácil colocar todo mundo pra descer a ladeira da lição edificante, de valor pedagógico, e não é o que acontece.

Daí veio o livro, que eu já namorava na versão original mas a fila de leitura não chegava a ele. Pois chegou, o intenso Sal que a Rita indicou que me espere mais uns dias, já continuo. De sábado pra cá já tenho quase 1/3 da leitura feita, Piper começa a descrever com mais detalhes sua rotina na penitenciária e me pergunto o que mais vem pela frente, sem me importar com o que há de dissonante entre versão escrita e versão filmada.

Ainda não ajustei meus olhos, não acertei meu tom de leitora, só o ritmo, muito rápido, casado com a inevitável transposição de rostos da tela pro papel. Mas chama a atenção até agora a mesma ausência de "moral da história" que percebi na série e também o cuidado com a descrição da rotina e das pessoas que dividiram com a autora o espaço confinado do presídio.

É engraçado também como a gente se prende a alguns padrões morais, de qualquer forma. A descrição da prisão e das condições de vida das mulheres nem de longe evoca as prisões femininas brasileiras, em qualquer aspecto, e às vezes me pego pensando em comparações que atribuem à prisão gringa um status de quase paraíso perto dos pulgueiros em que encerram humanos para cumprir pena ou aguardar julgamento no nosso país. Como se fosse possível, como se fosse cabível. Daí me pergunto se o que me comove na solidariedade e nas reflexões da autora poderia comover a todos ou se a evocação de "paraíso" prevaleceria - existe entre nós a curiosa ideia de que o detento é um "privilegiado" (OI?) que come e dorme às custas de todos nós, Cidadãos de Bem, então por que se comover com a vida de mulheres cumprindo pena em locais onde têm cama, latrina, chuveiro, roupa e comida de graça? Daí pensei nas cenas pavorosas de miséria humana e indignidade que lemos e vimos em Carandiru (reclamem do filme à vontade mas deixem o livro em paz, por favor). Pensei nas imagens das reportagens, inclusive nos registros feitos após a desativação do complexo, pensei nas notícias sobre superlotação de cadeias, sobre condições de vida em presídios, sobre mulheres dependendo de doação de produtos básicos de higiene pessoal (absorventes - alguém acha isso luxo?), e concluí que quem ainda confunde condenação e cumprimento de pena com vingança e considera que dignidade não é um direito e sim um privilégio não é capaz de ter empatia com ninguém além de seus pares. Lamento tanto.

Volto ao meu livro, então.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Celebração

Tem uma tag de Instagram que é #100happydays e pelo que entendi a pessoa vai postando 100 dias legais, coisas felizes (como eu sempre digo, o instagrão é o reino da Felicidade Eterna e da Motivação Inquebrantável, lá não tem tristeza nem desânimo e nem sutiã descombinando com calcinha) etc. e resolvi transpor 1/100 da brincadeira pra cá.


Eu tenho um emprego legal. Que me paga bem pra padrões interioranos. Que envolve atividades de que gosto. Que tem um horário de expediente que me permite estar em casa de dia. Que é seguro e limpinho (sim, muito importante o "limpinho" pra quem já trabalhou em arquivo histórico começando do basicão de abrir caixa encostada há décadas e limpar papel com trincha, folha por folha, e também pra quem passou vários anos saindo do trabalho empoada de giz).

E eu tenho um emprego que me permite ouvir música. Eventualmente mexer os pezinhos debaixo da mesa e bater cabeça um pouquinho (dançar já é demais, mas quando eu trabalhava sozinha eu cantava).

É isso, só vim me gabar mesmo, boa noite pra vocês.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Desejo, necessidade e vontade

Deve ter gente que acha Love, actually um filme bunda, meloso, baboseira natalina, já eu acho que é pode ser meloso mas não bunda nem raso (sou ambivalente quanto ao lance de Natal, que é a comemoração que mais detesto) - sei lá, vai ver eu sou rasa. Bom, deixa pra lá. Mas eu gosto de ver pra chorar e choro porque fico me alternando nos papeis das pessoas ali. Já me vi em tudo quanto é canto e tô pensando se é isso o negócio legal dele, permitir que o telespectador meloso, carente, bunda e raso se identifique com os personagens e seus dileminhas ali.

Daí que lavava louça (atividade que todo mundo sabe que é a maior geradora de insight que existe) e ruminava terapia, posto que é segunda-feira. E então lembrei do Alan Rickman, o chefe cinquentão, telefonando pra secretária linda e jovem e insinuante com quem flerta, enquanto acompanhava entediado e resignado a esposa nas compras de Natal.

Daí ele diz pra ela que está fazendo compras e lembrou dela, pergunta se tem algo de que ela precise que ele possa comprar - alguma coisa tipo grampos, bloquinho de papel, lápis, caneta, talvez? E ela responde "I don't want something I need. I want something I want. Something pretty."

Então ele compra pra ela um colar com pingente de coração - que gera duas outras sequências que não entram aqui no contexto -, que ela aparece usando quando aparentemente passa a noite de Natal sozinha em casa.

Ter algo de que não se precisa, melhor que isso é ter sem pedir. Será que é disso que se trata a coisa toda?

Do que a gente precisa?