sábado, 13 de dezembro de 2014

Do que passa

Aquele filme que eu ia comentar: passou a inspiração. Aquele livro: passou a vontade de falar dele. Aquele pensamento, aquele insight: passou o momento, perdi o timing e o propósito - afinal, quem vem aqui ainda merece mais do que repetição de temas e expressões.

O tempo passou voando mas isso está longe de significar que o ano termina de maneira indolor: ele vai acabando e deixa na alma uma sensação ardida, de remédio que pingou em cima daquele ralado na pele, em cima da ferida.

Que essa ardência chata e meio onipresente passe assim que 2015 começar.


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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Daqueles que se vão e do que fica para trás

Para meu pai.


Quando minha avó paterna morreu, há quase um mês, viajei para o velório e o enterro de olhos secos. Atarantada e chateada (inclusive por meu pai, que acabara de perder a mãe) mas de olhos secos, nem lágrimas represadas havia. Não era por desgostar, embora tivéssemos nos distanciado com a passagem do tempo e com o espaçamento cada vez maior de minhas visitas, quase semanais até eu sair da cidade. Mas havia aquele sentimento pragmático de que ela viveu bastante, até seus 94 anos, e de que o tempo que teve após ficar viúva foi bem aproveitado, bem preenchido e bem acompanhado pelas pessoas de quem ela gostava mais. Ela foi bem cuidada até o fim, quando estava inevitavelmente debilitada após vários problemas de saúde consecutivos e algumas idas e vindas do hospital. Não foi uma surpresa, não foi um choque, era algo esperado. Espero não soar cruel, e sim justa e, quem sabe, terna. Reproduzindo uma fala do meu pai ao telefone, no dia seguinte, "ela teve uma vida longa e boa, simples mas boa".



Minha avó foi uma mulher simples, sem luxos, matriarca de uma família grande. Quando se casou com meu avô, quinze anos mais velho, tornou-se madrasta de três e teve mais sete. De todos os filhos meu pai é o oitavo, o que me torna apenas mais uma das muitas netas, e era muito comum que ela chamasse várias outras antes de acertar meu nome. Não por descaso, que fique claro. Coisas da vida. Ela se manteve ativa enquanto pôde, mesmo contando com acompanhantes e com a ajuda de filhos e netos.

Ela sempre morou na casa onde seus filhos nasceram e seu marido morreu, onde os netos e bisnetos a visitavam, o lugar que por muito tempo foi ponto de encontro nas noites de domingo, no proverbial almoço do dia 25 de dezembro e em 3 de julho, seu aniversário. Na mesinha da sala amontoavam-se porta-retratos com fotos de netos, bisnetos (inclusive do meu filho), casamentos, uma foto do meu avô. Quadros pintados por ela e para ela nas paredes. Os mesmos móveis sóbrios de sempre (com a adição de um jogo de sofá de flores alegrinhas): as cadeiras que passaram para um quarto contíguo à sala, transformado em saleta de tevê, o jogo de mesa, cadeiras e o buffet, de madeira pesada, tudo muito bem cuidado, a cristaleira cheia de louça e bibelôs. Os armários antigos nos quartos, camas, a mesa comprida na cozinha, o armário de portas azuis, mesma cor das portas da casa. O chapéu do vô pendurado na entrada de um dos quartos, perto de onde havia o rádio antigo em uma prateleira, e também um espantoso pica-pau empalhado que acabou indo parar na casa dos meus pais (não sei onde está agora). A Veraneio cor de vinho que ainda anda, guardada no barracão.

Não faço ideia do que será feito da casa antiga bem no centro da cidade, o que acontecerá com as coisas de dentro dela. O mais provável é que o imóvel seja vendido e logo seja demolido, porque duvido que alguém vá comprá-lo para manter as características originais. As coisas devem se dispersar, cada um leva algo embora, algumas vão ser doadas, vamos perder seu rastro.

Com a morte minha avó vai-se uma parte palpável da história da minha família e uma parte da minha história também. Voltando à casa depois que a enterramos e parando para sentir a estranheza de entrar lá pela primeira vez e não encontrá-la, ela que sempre foi a constante ali (enquanto eu devia ter em mente de que não há constância em se tratando de seres vivos), percebi que eu estava em uma espécie de cápsula do tempo. A casa da minha vó é documento e é também monumento a um tempo, a pessoas e costumes que já não existem, a uma parte da minha própria existência que já passou. Nunca mais as brincadeiras com meus primos no alpendre, que parecia enorme, nem nos quartos, escuros e misteriosos, nunca mais a aglomeração de gente no quintal, em torno da jabuticabeira, no almoço de Natal; nunca mais a passadinha por lá em algum intervalo das aulas de ballet a três quadras dali. Não mais pular o parapeito do alpendre, depois fechado com uma janelinha semicircular, nem olhar intrigada para os veios da porta azul, que sempre me fizeram pensar em um organismo vivo, uma pele rachada sob a qual era possível ver como que uma camada subcutânea sangrenta.

Naquele dia registrei o que pude, guardei as imagens de tudo o que tornava aquela casa notável. Não torno a visitar essa parte dela, essa parte de mim.





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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Água

A água que acaba no Estado, a água que chega em casa dia sim, dia não, a água que a gente espera cair, daí cai e alaga, estraga, traga.

Na água do banho, na água da louça sendo lavada e na água da piscina eu desligo uma frequência do cérebro, ligo outra, continuo funcionando igual mas diferente. Confortável mas concentrada.

Essa semana atravessei a piscina muitas vezes e pensei que minha vida de cigana tem uma conexão com minha vida aquática, por assim dizer.

Na cidade onde cresci aprendi a mergulhar, a boiar, a dar braçadas em dois estilos diferentes. Assim como não suportei a água gelada da piscina do clube não tolerei a perspectiva de ficar onde estava e fui estudar fora. Nunca mais voltei como nadadora e nem como moradora, apenas como visitante.

Na cidade onde meu filho nasceu, numa piscina pequena, aprendi a nadar peito, era o que me relaxava quando a barriga, já crescida, incomodava. A sensação de tranquilidade ainda é diretamente relacionada a esse estilo, sete anos depois. Ele nasceu e eu não voltei a nadar.

Na cidade onde vim trabalhar e onde levo a vida de "gente grande" que sempre esperei (embora tenha a dificuldade constante de me ver como o que eu acreditava ser "adulta", ou melhor, embora eu sofra de um problema de descompasso entre a auto-imagem e a imagem previamente construída sobre o que eu sou/deveria ser) aprendi o quarto estilo, o mais cansativo. O puxado. O que requer paciência, concentração, força. Como a vida tem pedido aqui continuamente. O nado que me testa, como a rotina me testa. O que me desafia, num contexto em que eu me desafio continuamente.

A água que me tranquiliza, que me torneia, que sustenta meu corpo e que me rodeia. A que - dizem, não sei se acredito porque não sei se acredito em tudo, não sei no que acredito - emula a volta ao útero materno. O meio líquido que me coloca de novo nos eixos e que me deixa prontos na cabeça rascunhos pra posts irrelevantes e sem sentido escritos ao som de água caindo com força e em grande volume do céu.
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Magnificência

Eu tenho muita coisa pra dizer - mais daquelas anotações oníricas, coisas comezinhas, miudezas, impressões e memórias. Enquanto não bate aquela coceira desesperada, enquanto as linhas não me transbordam na cabeça, enquanto a cabeça d'água não desce, ouçam (mais de uma vez, se for o caso) mais uma das traduções para o termo "majestade", que descobri há menos de meia hora e que me nocauteou - parei tudo o que estava fazendo, torrente sonora.


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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os olhos alheios

Soube que ontem, na hora da votação, a mãe de uma coleguinha do meu filho tomou um tremendo tombo nas escadas, com a filha junto. A menina se machucou pouquinho, a mãe se machucou mais. Fui buscar as tarefas atrasadas do menino convalescente (catapora!) e no caminho a amiguinha me cumprimentou, disse que vira o pai do Alê na véspera. Perguntei como ela e a mãe estavam. Ela me mostrou os sinais do tombo (um roxinho de leve no braço, outro na perna, só) e falou que a mãe se machucou mais, mas completou:

- Minha mãe pode levar o tombo que for, tia! Ela é indestrutível, nada derruba minha mãe! Ela pode cair numa escadona e levanta!

Como será que meu filho me vê? Como ele me descreveria, será que eu ia ficar surpresa? Será que ele revelaria alguma coisa inesperada vista pelos olhos dele ou algum estereótipo daria conta de mim?

No Ensino Médio algum professor teve a ideia de fazer uma dinâmica na sala de aula que consistia em fazer circular por todos os alunos uma folha de sulfite em que cada um escrevia algo sobre o colega cujo nome aparecia no topo do papel, dobrava a parte escrita e passava para o próximo. Então no fim da brincadeira todos teriam as opiniões individuais de cada um a seu respeito, sem assinatura (mas identificáveis pela letra, coisa simples numa sala com 15 alunos que já se conheciam de longa data).

Minha folha basicamente fazia alusões à minha inteligência (na época eu trocaria isso por ser bonita, querida e popular, sem pestanejar) e à minha lealdade como colega e sobretudo ao meu dark side: "um pouquinho mal humorada", "não se enturma muito", "podia se integrar mais", "tem um humorzinho ácido". Fiquei decepcionada, claro, aos 16/17 anos esperava palavras mais doces.

Isso aconteceu há 20 ou 21 anos. Continuo esperando doçura e opiniões meigas que não me cheirem a gentileza diplomática ou condescendência, continuo esperando olhos gentis que vejam um suposto lado bom que nunca aprendi a identificar. E continuo sendo a mesma que apareceu quando desdobrei aquele leque de papel escrito a canetas coloridas.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Madrugadas coloridas - mais um daqueles posts oníricos

Engraçado que quando eu sonho algo relacionado a estudo, educação formal, sempre sonho que voltei para o Ensino Médio (e em geral lá pelas tantas, sentada na carteira esperando a prova começar, eu falo algo como "opa, peraí, meu, por que eu tô aqui fazendo prova? Eu já fiz faculdade!!) ou que estou na Faculdade 1. Nunca a Faculdade 2. Talvez seja porque ela passou um pouco mais em brancas nuves e não foi tão determinante para a minha formação acadêmica ou como pessoa como a anterior (mas foi importante sim, claro, porque olha eu aqui no emprego que quis tanto). Então não devo ter questões de ordem interna relacionadas a ela engavetadas esperando pra se manifestarem numa madrugada qualquer.

Dessa vez eu pegava um ônibus, não lembro exatamente onde, com minha melhor amiga da Faculdade 1. Andávamos juntas o tempo todo, de fato. Daí íamos pra lá, lembro que conversávamos alguma coisa com o cobrador, sobre onde descer, sobre ter que descer antes ou depois. Reconheci nos prédios não os lugares reais, mas os locais correspondentes ao campus que já apareceram em outros sonhos. Que doido isso, sonhos com coerência entre si. Bom, deixa pra lá.

Então eu passava na frente da casa onde cresci, na Terra do Calçado e do Basquete e do Gian e Giovani e do Rio Negro e Solimões. Mostrava pra minha amiga a laje da garagem e explicava que era ali que meus irmãos subiam. Claro que meu primeiro clique quando acordei foi lembrar que isso foi exatamente o que disse, há poucos dias, que mostraria pro meu filho quando viajássemos pra lá: o lugar onde os tios subiam. Mostrei pra amiga que a casa havia virado um consultório (o que acho que é o caso, depois vou conferir no Street View), e entramos e pedi licença pra funcionária, explicando que havia morado ali por um tempão, que minha família passou o que, uns 20 anos ali? Não sei. Tipo isso.

Eu reconhecia os lugares, apesar das reformas. Um balcão que dividia a cozinha (só no sonho, na real não existia), comentava que aquele cômodo era grande mesmo (minha mãe discordará muito e com razão, aquela cozinha era pequena), via os quartos, banheiros e por fim a sala. E reparava que a sala era na verdade pequena. Eu achava aquela sala tão grande, explicava pra minha amiga, e chorava copiosamente. Era imensa mas na verdade eu é que era pequena demais, a prova tava ali (na verdade a sala era grande sim e eu gostava muito dela). Muitos soluços.

Não houve bananas, não houve roubo de carro, não houve corrida, não lembro mais o que acontecia depois que eu parava de soluçar e finalmente saía da casa. De onde, penso agora, de certa forma não devo ter saído mesmo, até hoje.
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

...are made of this.

- Eu vi na bula do remédio que...
-...paciente não devia ler bula. Tem um monte de efeito adverso e a tendência de largar o tratamento aumenta.

Daí eu vi a bula do remédio de novo. Porque teimosia corre nas minhas veias e me move - não necessariamente de um jeito bom, essa não é uma daquelas declarações de falsa modéstia travestidas de defeitinho adorável.

Então numa madrugada eu entrei em algum lugar que parecia um restaurante pra tomar banho, fechei o carro mas não tranquei e deixei a chave lá dentro. Sempre fiz isso. Mas daí uma hora desci a rua e no lugar onde o carro estava (no meio de uma área pintada, uma rotatória demarcada) não havia nada. Vi a traseira do carro, ele descia a avenida. Alguém acabou de levar meu carro!

Não telefonei pra ninguém. Não falei pra ninguém. Lembrei de um posto da polícia (não usei "delegacia" em qualquer momento) perto do centro (de São Carlos? De Franca?), fui lá e não tinha ninguém. Algum funcionário da faxina disse que não tinha ninguém. Tentei um segundo em outra rua, aflita, meu carro ainda estava circulando por aí e podia ser interceptado. Ninguém. Ninguém podia fazer nada. Perguntei em algum lugar se não tinha um posto policial numa tal rua Bandeirantes, em outro bairro. Sim, tinha.

Fazia um sol desgraçado, foi um esforço enorme vencer o calor, as subidas e a distância, eu fazia força mas custava a sair do lugar. Cheguei a uma espécie de galeria ou centro comercial. Ali havia mesmo o que eu estava procurando mas parece que ninguém podia fazer o B.O. pra mim também. Não me lembro por quê. Expliquei que meu carro estava circulando pela cidade, alguém o levara mas ninguém viu quando aconteceu, quem foi. Ainda assim não lembro de ter telefonado pra algum conhecido pedindo ajuda.

Intervalo. Minutos? Horas?

Corta para a casa da minha mãe. Passando por uma área parecida com um pomar, chão de terra, folhas, árvores imensas inclusive dentro das paredes da casa de pé-direito alto, conto pra minha mãe que ninguém, ninguém me ajudou a fazer o B.O., explico que meu carro foi levado, que meu pai não quis saber. Olho pra cima e há árvores parecendo mangueiras, goiabeiras, há um quiosque, e em todo lugar (incluindo o quiosque, claro) crescem cachos imensos de bananas, muitas pencas muito amarelas em cada árvore. Olho pra cima, penso "é o paraíso das bananas, é uma festa de bananas, vou fotografar e colocar no instagram". Vou andando pelo lugar atrás da minha mãe e repetindo a reclamação, alguém levou meu carro, meu carro foi levado, eu vi ele na rua, reconheci a cor, o modelo, a placa, meu pai não ajudou, ninguém me ajudou com a polícia. Conforme ando alguém bate continuamente na minha cabeça, alguém solta galhos baixos de árvore na minha cabeça e aquilo dói, eu reclamo que é algum dos meus irmãos mais novos, reclamo pra minha mãe.

De repente acabou. Quase levanto pra conferir se o carro está na garagem.

Quando olhei a bula daquela vez ela dizia: sonhos vívidos.

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pra dentro. Pra fora. Pra dentro.

Lá nos idos dos 90's eu estudava e fazia curso técnico. De Dança. Clássica.

(agora faço a pausa dramática enquanto vocês dão risada)

E na turma imediatamente anterior à minha havia uma aluna que já era uma jovem senhora, pra lá dos 45/50. Casada com meu antigo oftalmologista (na verdade já viúva), ela explicou que dançava quando era menina, queria continuar mas parou porque o marido não deixava, porque tinha a casa, porque tinha os filhos, porque não. Daí quando o marido morreu, com filhos crescidos, ela voltou a dançar.

Disciplinadíssima, muito atenta, muito caprichosa, nenhum fio de cabelo fora de lugar, contrastando com aquele nosso desarranjo meio proposital, meio incidental. Roupas e sapatilhas sempre na mais maravilhosa ordem. Mas para lá dos 45, quiçá 50, as linhas do corpo não se desenhavam da mesma forma, os tendões não estavam lá aquele espetáculo de alongamento, os músculos não tinham a mesma força. E ela seguia, dançamos juntas em muitas ocasiões e ela se formou um ano antes de mim.

Hoje decidi passar o dia trabalhando com uma playlist dos meus ballets preferidos tocando sem parar. Como de costume deixo a cabeça voar e voltar pra palcos, coxias, barras, espelhos. Sequências de passos, fantasias, adereços, ensaios. Como de costume paro pra pensar "estou mais perto dos 40 que dos 35, não danço há 20 anos, minhas atividades físicas mudaram tanto, será que ia sofrer bastante ou à beça?". Daí hoje pensei que não conseguiria sustentar direito uma posição qualquer en dehors - pernas e pés rotacionados para fora, coisa básica na dança clássica, que se aprende lá nas aulas de Baby Class. Meus tendões não são mais aquela beleza, meu alongamento, minha postura, tudo mudou tanto. Nunca mais um daqueles giros fantásticos.





Então eu parei mais um pouco, somei dois mais dois. E concluí que de tantas formas esse tempo me transformou não só em uma ex-bailarina, mas uma pessoa en dedans. Será que tem volta ou minhas linhas já se desfizeram?


(imagina só, jamais)

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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Meu monotema

Quem viu meu post anterior pôde ver a imagem mencionando uma corrida de rua, a Golden Four Asics, etapa paulistana. Eu me inscrevi no fim de fevereiro, treinei por 5 meses e completei a prova no último domingo.

Não, pera, deixa eu falar de novo: eu completei uma meia maratona. Meia maratona. São 21 km, foram 2h18min correndo (ok, caminhei uns 50m nos km 12 e 18 porque precisava comer e se mastigasse e corresse ia engasgar e ia ser uma porcaria). Fiz treinos casca grossa, com percurso mais difícil, fiz treino no meio do mato e na beira da rodovia, em avenida esburacada, fiz treinos com tiros que me deixaram com certeza de que ploft, ia cair dura ali mesmo ou ia enfartar no chuveiro. Quase fiquei doida de tensão nos últimos dez dias. Na véspera dormi mal, sonhando com largada perdida e todo tipo de revés possível e imaginável.

Quando passei pelo pórtico de largada esqueci TUDO. Comecei a correr e esqueci tudo tudo. Só me concentrei no que estava fazendo ali, com outras 5 mil pessoas que também acordaram com o dia escuro pra ir correr ali, em duplas, grupos ou sozinhos. Mas todos juntos. Os treinos me deixaram física e mentalmente apta mas a prova foi mais difícil que imaginava (o cansaço bate MESMO lá na frente); porém os treinos não me prepararam para a beleza daquelas duas horas de corrida, pra olhar a cidade em volta de mim e correr.

Daqui a uns dias paro de babar de orgulho de mim mesma, enquanto isso fiquem com o meu relato da prova, que publiquei lá no blog esportivo que mantenho com a Thais e a nossa treinadora, a MC.

E claro, desculpem aí a repetição. ;)
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terça-feira, 1 de julho de 2014

Há dias

Em que o trivial e automático surpreende. E preenche espaços, por algum tempo, não importa quanto. Dias em que você enxerga mais pra frente e era disso que precisava na hora.



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